A capital inesgotável (Londres, Inglaterra)

  • 31/03/2016
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  • Por: Guilherme Goss De Paula

Era grande a minha expectativa de atravessar o Túnel do Canal da Mancha – que liga França e Inglaterra por baixo do mar e mede 50,45 km de comprimento –, pena que no túnel não há janelas, é escuro e, portanto, a única paisagem são as paredes de aço e cimento armado! Em cerca de três horas cheguei à St. Pancras Station, em Londres – onde troquei alguns Euros por Libras Esterlinas (Pounds para os ingleses). Se na imigração inglesa (ainda em Paris) o clima já era bom, bastou colocar os pés em Londres para me sentir ainda melhor. Tempo bom e céu azul – coisa rara na capital!

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Cheguei à estação de Earl’s Court de metrô (ou tube como os ingleses o chamam) e gostei da cara da nova vizinhança. Como não consegui reserva em nenhum albergue central, escolhi o Earl’s Court YHA, que é bem localizado, possui quartos com banheiros privativos, um pátio bacana e um serviço de limpeza impecável.

Pouco depois eu já estava no centro londrino, de frente para os painéis publicitários, em Picadilly Circus. Saí andando sem rumo, conhecendo algumas lojas e curtindo a atmosfera cosmopolita da capital inglesa. Decidi conhecer a Trafalgar Square (uma grande praça que celebra a vitória na Batalha de Trafalgar – uma batalha naval contra França e Espanha, em 1805), entretanto, devido a uma informação errada fui para o sentido oposto! Minutos depois, enquanto eu corrigia o erro, recebi surpreso uma ligação. Era o Mark, um amigo do meu pai de longa data e maestro da orquestra London Musici. Disse a ele onde eu estava e, em seguida, nos encontramos em frente à National Gallery, na própria Trafalgar Square. A única vez que eu o tinha visto havia sido há 14 anos! Como um bom anfitrião, me guiou em um rápido passeio pelo centro. Conheci lojas de arte, galeria de fotos, teatros, um belo hotel boutique e restaurantes. Fizemos uma breve parada em pub subterrâneo (não me lembro o nome) para um Welcome Drink e depois seguimos até o Soho – uma área badalada e conhecida por seus bares e restaurantes. Depois que me apresentou um pouco da cidade, ele se despediu e eu, meio perdido, continuei caminhando por ali.

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Resolvi retornar à Trafalgar Square – para encontrar o caminho de volta. Foi quando, muito inesperadamente, por pura coincidência, me deparei com o Lu, um conterrâneo de Tupã. É quase inacreditável encontrar, por acaso, um conhecido em Londres! Batemos um papo rápido, trocamos contatos e peguei meu rumo. Ainda tirei algumas fotos noturnas na imponente praça, antes de seguir para a Leicester Square – outra praça interessante, com casas de show de comédia e bares à sua volta. Feliz com meu primeiro dia em Londres, peguei o tube e fui para o albergue.

Toda a empolgação do meu primeiro dia quase foi a zero no dia seguinte! Acordei extremamente animado com o meu roteiro que incluía: Big Ben, Parlamento, Abadia de Westminster e London Eye (a roda gigante!). Ah, e o Palácio de Buckinham para ver a troca da guarda! Saí debaixo de chuva da estação de metrô de Westminster, tirei algumas fotos tristes e cinzas do Big Ben e do Parlamento Inglês. Depois paguei caro (₤10) para conhecer a lindíssima Abadia – cujo interior é praticamente um cemitério de nobres ingleses – e me estressei com a chuva que caía sem parar. Já em frente ao Palácio de Buckinham, a situação ficou ainda pior quando meu guarda-chuva quebrou. Assim, eu e mais centenas de turistas curiosos tivemos que resistir à chuva, ao vento e ao frio para apreciar as coreografias da guarda inglesa. Após a cerimônia, meus pés estavam encharcados e resolvi retornar ao albergue para trocar meus tênis, minhas calças e decidir o que fazer no resto do dia chuvoso. No caminho comprei um novo guarda-chuva e um adaptador para tomadas, pois o sistema inglês é diferente do resto da Europa. De roupas secas e humor parcialmente recuperado, fui degustar o tradicional Fish n’ Chips (peixe frito, batata frita e molho tártaro) e em um restaurante chamado Badjys (ou algo parecido, mas me parece que não existe mais), quase em frente à estação de metrô de Earl’s Court. O prato era enorme e muito saboroso.

Após o almoço, voltei de metrô à Westminster para conhecer a London Eye. Para minha total surpresa e felicidade, desta vez, ao sair da estação, um caloroso sol me aguardava. E eu desculpei Londres pela manhã pouco agradável! Com medo de o tempo virar, apressei-me e tive belos momentos na London Eye – na época, a maior roda gigante do mundo –, de onde se tem uma vista exclusiva da capital inglesa.

Como o Parlamento estava temporariamente fechado para visitação, fui ao Hyde Park, onde pude passar o tempo percorrendo seus imensos caminhos sinuosos, brincando com esquilos e maravilhado com as cores e luzes daquele local ao pôr do sol. O Hyde Park é, sem dúvida, o ponto de equilíbrio de Londres, onde as pessoas se recuperam da correria do dia-a-dia junto à natureza. O frio dava um toque de charme e o sol, se escondendo, fazia valer a pena cada precioso segundo. Eu, particularmente, poderia passar dias inteiros andando por lá, mas como o tempo era curto, parti para a Harrods após ver uma sacola da maior loja de Londres passar em minha frente.

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No caminho, ao pedir informações, tive mais um bom exemplo da educação britânica: ao ser questionado sobre a localização da loja, o senhor inglês entrou em seu carro e buscou a loja pelo GPS para, em seguida, fornecer todas as direções com exatidão. Alguns minutos depois, cheguei à famosa Harrods, loja de Mohamed Al-Fayed – pai do falecido Dodi Al-Fayed, namorado de Lady Diana –, onde me surpreendi com os mais diversos departamentos.

Na manhã seguinte fui a Notting Hill. Sim, aquele mesmo do filme Um Lugar Chamado Notting Hill! Percorri a movimentada feira na Portobello Road, onde se encontram desde verduras a antiguidades. Perguntando de loja em loja, descobri os lugares onde haviam sido gravadas as cenas do filme. Nada além de uma porta que foi aberta por Hugh Grant e a famosa livraria. Em meio a tantas quinquilharias encontrei um delicioso crepe de Nutella, que degustei enquanto voltava para o metrô.

A próxima parada foi na célebre St. Paul’s Cathedral onde ocorreram, entre vários outros acontecimentos importantes, o funeral de Churchill e o casamento do Príncipe Charles e Lady Di. Sua cúpula, a partir da qual se tem belas vistas da cidade, é a segunda maior do mundo, atrás apenas da Basílica de São Pedro, no Vaticano.

De repente, meu celular toca. Era a Fátima, amiga de infância do meu pai que estava morando em Londres. O ponto de encontro seria a próxima atração da minha lista: Tower of London – o mais antigo castelo inglês que guarda histórias tenebrosas e o famoso diamante Koh-i-Noor que é o destaque da coroa da rainha-mãe, Elizabeth, falecida em 2002. Nos encontramos fugindo da chuva, dentro da estação de metrô e, após conhecer o castelo, atravessamos a Tower Bridge, a mais bela e emblemática ponte londrina.

E foi a bordo de um busão vermelho que seguimos para Camden Town, o lado B mais conhecido de Londres. É um local alternativo, que recebe diversas tribos e culturas. Hippies, góticos, emos, rastafáris, patricinhas, punks, clubbers e turistas se trombam nas feirinhas que vendem de tudo. Unanimidade são os chineses que praticamente monopolizam as barraquinhas de comida no Stables Market (antigos estábulos foram reformados e transformados em galerias com lojas de roupas, acessórios e artigos diversos). A propósito, por volta das 18h (próximo ao encerramento do expediente), pode-se comer uma generosa refeição chinesa por apenas £1,00.

Ainda boquiabertos com as figuras exóticas que frequentam Camden, seguimos para Convent Garden, um antigo mercado que deu espaço a bares, restaurantes badalados (no primeiro andar do prédio) e apresentações musicais e artísticas, se tornando um dos espaços mais disputados da capital. Enquanto nos acomodávamos em um autêntico pub pra degustar uma cerveja local, ela me contava como era trabalhar em um luxuoso hotel londrino.

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E foi ao final de um grande dia de passeios e conversas que nos despedimos. De volta ao Earl’s Court YHA conheci um simpático senhor norte-americano que estava de passagem pela cidade. Ele acabara de visitar sua sobrinha que é pastora em Belfast, na Irlanda do Norte. Batemos um bom papo, dei-lhe algumas dicas sobre as atrações de Londres e fui dormir.

Na manhã seguinte, com o roteiro em dia, peguei um barco até Greenwich – lembra daquele meridiano que você ouvi falar no colégio? Pois é! Depois de um agradável passeio pelo Rio Tâmisa, chegamos ao píer de desembarque. Bastou atravessar algumas ruas pacatas para chegar ao local, que começa por uma linda praça com imensos gramados e árvores por toda a sua extensão. No entanto há uma longa e inclinada subida antes de se chegar ao Royal Observatory Greenwich. Comecei o passeio pelo atrativo principal: o meridiano de Greenwich propriamente dito e, como lá o meridiano não é apenas imaginário (está demarcado no chão), todos os turistas tiram fotos com um pé no Ocidente e outro no Oriente! Em seguida, visitei a Câmara Escura – onde é possível ver refletido em uma mesa, tudo o que acontece do lado de fora em movimento e em tempo real! Em outras palavras, você vê miniaturas de pessoas, veículos, animais, casas, árvores em cima de uma mesa. É muito interessante! Caminhei pelo resto do observatório e peguei o barco de volta.

Havia combinado com a Fátima de encontrá-la no píer e, ao chegar, lá estava ela. Como já mencionei anteriormente, eu estava sem roupas adequadas para aquele final de inverno e decidi (antes que virasse pinguim) comprar uma jaqueta. Fomos até a Lillywhites – uma loja grande, com ótimas promoções, em frente à Piccadilly Circus – onde escolhi uma parecida com aquelas utilizadas por esquimós (!), para não passar mais frio durante a viagem.

Continuamos andando pelas ruas, ora a pé, ora de ônibus. Almoçamos e seguimos o passeio pelas margens do Tâmisa, onde conheci o Shakespeare’s Globe (teatro). Por acaso passamos em frente a uma exposição de fotos, as quais foram tiradas em diversas partes do mundo – sonho de qualquer viajante! Em seguida, paramos para um café e combinamos de nos encontrar em Veneza algumas semanas depois, pois ela estava prestes a se mudar para a Itália a fim de solicitar sua cidadania. Então nos despedimos mais uma vez, tirei mais algumas fotos da London Eye, do Big Ben e chegava ao fim meu último dia naquela cidade tão encantadora!

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O dia seguinte amanheceu nublado e eu nem me importei, pois estava de saída! Fui à uma locadora de veículos próxima ao albergue onde aluguei um carro para continuar minha viagem pela Inglaterra. Com um GPS grudado no painel ficou fácil definir o melhor caminho até Windsor!


Este é o 8º post da série Mochilão na Europa I (28 países)

Leia o post anterior: Uma cidade para voltar (Paris, França)

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Guilherme Goss De Paula

Nascido em Tupã, no interior de São Paulo, sua primeira experiência internacional foi um intercâmbio na Alemanha - onde despertou seu interesse por conhecer o mundo. Trabalhou com turismo nos EUA, no Amazonas e em Santa Catarina. Graduou-se em Turismo e Hotelaria e abriu sua própria agência de viagens. Sempre em busca de novos destinos, acumula passagens por mais de 60 países. Como escritor-viajante, já participou de diversas edições dos guias O Viajante, além de ser colaborador voluntário dos sites TripAdvisor e Mochileiros.com. Sua melhor viagem é sempre a próxima!


4 respostas para “A capital inesgotável (Londres, Inglaterra)”

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