Cartagena das Índias: um tesouro colombiano

  • 1/08/2016
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  • Por: Guilherme Goss De Paula

Fala, viajante!!

Depois de visitarmos Cali, pegamos um voo para o destino mais concorrido da Colômbia: Cartagena das Índias. Acompanhe!


 Cartagena das Índias: um tesouro colombiano

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O dia amanhecia em Cali e, depois de acordarmos e tomarmos o café da manhã, pagamos COP 55.000 para irmos de táxi até o Aeropuerto Internacional Alfonso Bonilla Aragón. Aguardamos em uma longa fila para fazermos o check-in e, quando chegou a nossa vez, apresentamos as passagens compradas no dia anterior pelo site Despegar.com e tivemos uma surpresa… A atendente disse que nossa reserva estava cancelada. Eu questionava sobre o porquê do cancelamento, sendo que o status da passagens aparecia como “CONFIRMADO”. Os argumentos foram em vão e tivemos que ir até a loja da Avianca, ali mesmo no aeroporto.

Expliquei a situação para a atendente da loja que confirmou que a reserva estava cancelada e que nada poderia fazer por nós. Indignado e sem saber o que fazer, peguei o telefone e liguei para a Despegar.com. Inspirado (e revoltado), gastei mais de dez minutos argumentando sem parar. A atendente negou-se a enviar qualquer e-mail relatando a situação e/ou uma cópia da ligação… E apenas falava que o banco não havia autorizado a compra. Eu rebatia, pois quando uma compra não é autorizada, o cliente deve ser informado na hora, seja por e-mail, telefone ou sinal de fumaça. Além disso, eu havia pego os tickets confirmados no site da própria cia aérea. Com os argumentos esgotados e sem nenhuma resposta convincente, desliguei o telefone e ainda tínhamos que decidir o que faríamos. As passagens que haviam custado COP 220.000, agora estavam por COP 305.000. Mesmo assim, decidimos que comprar novas passagens seria a melhor solução. Passamos o mesmo cartão que havíamos utilizado na internet e adivinha? Tudo ok, passagens emitidas. A sorte foi ter chegarmos bem cedo ao aeroporto, pois ainda deu tempo de pegarmos os mesmos voos. Assim, deixamos os problemas pra trás, seguimos animados para o embarque e, após uma conexão em Bogotá, desembarcamos na costa caribenha.

A Ciudad Amurallada, como é conhecida, possui mais de um milhão de habitantes e é de grande importância histórico-cultural – não à toa, recebeu o título de Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela Unesco. Cartagena que, na época da colonização espanhola, foi um grande porto mercantil, hoje é uma cidade turística de destaque na América do Sul.

No aeroporto tomamos um táxi até o Media Luna Hostel, localizado na Calle Media Luna (ou Calle 30), a mais agitada do bairro Getsemani. Cada um de nós desembolsou US$ 18 pela diária de um quarto compartilhado (para até seis pessoas) com ar condicionado – indispensável devido ao calor e humidade que nos fazem derreter dia e noite. Além da ótima localização, o albergue possui uma piscina bacana e a limpeza dos quartos e banheiros esteve sempre em dia.

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Saímos para comer algo e encontramos o restaurante La Licciola, a poucos metros do albergue. O local é agradável e as pizzas individuais custam entre COP 3.000-4.500.

Já no dia seguinte, experimentamos o sol ardente ao caminharmos até o Fuerte (ou Castillo) de San Felipe de Barajas. Pagamos caro pela entrada: COP 50.000. Ele é o maior castelo construído pelos espanhóis no continente americano, onde destacam-se os vários túneis claustrofóbicos interligados que lembram um formigueiro. Em algumas paredes é possível identificar corais marinhos, utilizados na construção.

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Seguimos adiante e, morrendo de calor, chegamos até o Monumento a los Sapatos Viejos. Trata-se de uma reprodução de um par de botas gigantes e gastas. É uma homenagem a um dos mais renomados poetas cartaginenses, Luis Carlos López, cuja obra “A mi ciudad nativa” diz assim: “Mas hoy, plena de rancio desaliño / bien puedes inspirar esse cariño / que uno le tiene a sus sapatos viejos…”.

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Fomos obrigados a fazer uma pausa estratégica para fugir do calor e, pouco antes das 15 horas, seguimos para o centro histórico a fim de participar de um free walking tour pela Free Tour Cartagena – um passeio a pé, pelos pontos de interesse da cidade histórica – programa que ocorre na maioria das grandes cidades turísticas. Os guias que exercem esse tipo de trabalho não cobram expressamente pelos tours mas, obviamente, deve-se colaborar com uma gorjeta proporcional.

Pra ser sincero, prefiro conhecer as cidades e atrativos por conta própria, com um guia na mão para não perder o principal e, além disso, os locais de interesse geralmente possuem algum material informativo. Eu também acho mais interessante fazer os passeios no meu próprio tempo, para poder fotografar com calma, curtir a atmosfera de cada lugar, enfim… Todavia, pra quem tem tempo sobrando ou não tem muita paciência para ler (ou ainda faz questão de saber os mínimos detalhes sobre tudo), esses tours guiados são muito indicados.

Diferentemente do que está dizendo no site deles, nosso passeio teve início na Plaza San Pedro Claver, em frente ao Claustro e Iglesia San Pedro Claver. Várias esculturas ocupam esta praça que, ao entardecer, fica tomada pelas mesinhas de bar.

De lá seguimos para a Plaza de la Aduana, a maior da cidade. À primeira vista, desinteressante, é uma praça vazia que possui uma estátua de Cristóvão Colombo. Mas ela possui um grande valor histórico. Foi ali, no edifício da Aduana que viveu Don Pedro de Heredia, o fundador da cidade. A construção é branca e possui colunas de pedra e três sacadas de madeira.

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Perto dali, fica a Plaza de los Coches, ao lado da principal entrada para a cidade murada, onde fica a Torre del Reloj. O nome da praça deriva de sua antiga função de estacionamento de veículos (coches). Atravessando a rua, fica o Portal de los Dulces, sob edifícios arcados (semelhantes à Aduana), ficam dezenas de barraquinhas de vendedores de doces caseiros.

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O passeio foi ficando mais interessante à medida em que caminhávamos pelas ruas, observando as coloridas fachadas dos casarões coloniais com suas sacadas de madeira, que são o símbolo da cidade histórica – e que, certamente, é a imagem que você já viu de Cartagena em alguma foto ou cartão-postal.

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Na Plaza Bolívar ou de la Inquisición fizemos uma longa parada. Bem arborizada e com uma estátua equestre de Simon Bolívar, a praça é rodeada de importantes construções. Em uma diagonal, ao nordeste (sobre a Plaza de la Proclamación), fica a Catedral de Cartagena, construída entre 1577 e 1612.  O Museo de Oro fica do lado leste, atravessando a rua. O Palácio de la Inquisición, que funcionava como um tribunal, ocupa um prédio ao lado oeste da praça e possui histórias bizarras. Imagine que, na época da inquisição, mulheres abaixo de 50 kg poderiam ser consideradas bruxas por serem leves e, portanto, teriam a capacidade de voar em suas vassouras. Não à toa, pode-se reparar que os cantos dos telhados são pontiagudos, a fim de capturar alguma bruxa desavisada.

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Quem certamente não teria essa preocupação é a obra “Mujer Reclinada”, popularmente mais conhecida como “La Gorda” do renomado artista colombiano Fernando Bottero. A obra se encontra na Plaza Santo Domingo, em frente à Iglesia Santo Domingo, cujo destaque fica por conta da coroa de ouro com esmeraldas sobre a imagem de Santa Maria.

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E nosso tour continava enquanto caminhávamos entre prédios históricos coloridos, charretes, carrinhos de frutas e palenqueras. Aliás, as palenqueras são figuras típicas da cidade, usam roupas coloridas e transportam frutas em bacias sobre suas cabeças para serem vendidas pelas ruas de Cartagena. Mas vamos além disso, pois essas mulheres possuem uma história muito interessante. Elas são negras, descendentes dos escravos que fugiram de Cartagena e formaram uma comunidade livre, como os nossos quilombos, em Palenque a 50 km da costa. Naquele local eles puderam conservar seus costumes e idioma. Benkos Bioho foi o grande líder desse movimento de libertação que ocorreu por volta de 1600. O pequeno povoado foi declarado Patrimônio Intangível da Humanidade por ser considerado o primeiro local livre dos escravos trazidos à América.

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Assim que o tour encerrou, conhecemos por acaso o restaurante temático Marzola. Apesar de estar na Colômbia, o restaurante é argentino e serve as especialidades de sua gastronomia, incluindo o delicioso cordero patagónico. Suas paredes são inteiramente forradas de tampinhas de garrafa e, sobre elas, são expostos objetos, quadros, camisas de futebol e até uma cópia da carteira profissional de Lionel Messi. Mas era cedo e queríamos algo mais rápido. Foi aí que encontramos outro bar e restaurante temático: o KGB que, como seu nome sugere, é inspirado na organização de serviços secretos soviética. Fardas, fotos, placas e bandeira adornam o local. Pedimos nossos lanches que de soviéticos não tinham nada, mas estavam ótimos, e partimos para o albergue.

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Mais tarde, voltamos para o centro histórico e entramos no Bourbon St., um bar e restaurante animado, com entrada gratuita, onde tocava uma banda de rock muito boa naquela noite.

No dia seguinte, não resistimos e fomos mais uma vez ao centro histórico e almoçamos por lá mesmo, no Restaurante 1595. O local é bacana, frequentado por locais e turistas, com pratos custando entre COP 9.000-14.500.

Depois seguimos de ônibus até Bocagrande, um bairro nobre onde fica a praia mais badalada da cidade. Aqui cabe uma observação importante: se você está pensando em ir para Cartagena e curtir uma praia paradisíaca, esqueça as praias da cidade. Apesar de estarmos falando do mar do Caribe, as praias por essas bandas não são muito diferentes das nossas, não. Portanto, se você vai em busca de praias, pegue um passeio para Islas del Rosario (a Baru é a mais conhecida) ou Islas San Bernardo, que estão disponíveis em qualquer hotel, albergue e nas agências. Voltando a falar de Bocagrande, a praia oferece uma boa infraestrutura de bares, restaurantes, além de barraquinhas, cadeiras e guarda-sóis para locação. O que, por vezes, incomoda é o assédio gigantesco de ambulantes que vendem de tudo e das massagistas de plantão, que já chegam esfregando suas mãos oleosas sobre os visitantes. Atrás de Bocagrande, fica a região de Castillo Grande cuja praia é do mesmo nível, mas com a areia mais escura e menos movimentada.

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No fim das contas, ficamos em Cartagena mais que o planejado mas, ainda assim, no último dia estávamos muito cansados e perdemos o tão falado pôr do sol no Café del Mar – fica pra próxima! Achei a cidade muito agradável, exceto pelo calor que não dá trégua, e possui uma história riquíssima que merece ser conhecida.

Na manhã seguinte, na recepção do albergue, reservamos lugares em uma van que nos buscou e nos levou, em uma viagem de 4 horas, até Santa Marta por COP 46.000. A distância não era grande, mas o espaço na van era menor ainda!

E no próximo post, vamos conhecer mais um destino do Caribe colombiano: Santa Marta! 🙂

Guarde as informações abaixo para a sua viagem!!

Passagens aéreas Avianca Cali/Cartagena – COP 305.000 só ida

Albergue Media Luna – End: Calle de la Media Luna 10-46, Getsemani. Dormitórios (para até seis pessoas) com ar condicionado custam US$ 18 por pessoa/por diária.

La Licciola – End: Calle 30, 991. Pizzas individuais: COP 3.000-4.500. É um bar e restaurante agradável, ideal para quem está hospedado em Getsemani e não quer andar muito para comer.

Fuerte de San Felipe de Barajas – End: Av. Antonio de Arevalo (cont. da Calle 30), esq. Carretera 17. Abre: todos os dias 8h-18h. Entrada: COP 25.000, estudantes pagam COP 10.500. Também há tours noturnos por COP 50.000 ou COP 15.000 para estudantes. Os áudio-guias custam COP 12.000.

Monumento a Los Sapatos Viejos – End: entre a Calle 30 e a Carrera 18, atrás do Castillo San Felipe de Barajas. O monumento fica em uma praça pública, portanto é grátis.

Free Tour Cartagena – Na cidade histórica, os tours ocorrem diariamente, em inglês e espanhol, às 10h e 16h. Em Getsemani, somente em ingês, seg/qua/sex/sáb às 10h30 e 15h. O ponto de encontro é na Plaza Santa Teresa. É bom fazer reserva pelo site.

Claustro e Iglesia San Pedro Claver – End: Carrera 4, esq. Calle 31. Abre: seg/sex 8h-17h30, sáb/dom 8h-16h. Entrada: COP 9.000 (estudantes pagam COP 5.000).

Catedral de Cartagena – End: Carrera 4, Plaza de La Proclamación. Visita com áudio-guia: COP 13.000.

Museo de Oro Zenú – End: Carrera 4, 33-26, Plaza de Bolívar. Abre: ter/sex 8h-12h, 14h-18h; sáb 9h-17h. Entrada gratuita.

Palácio de la Inquisición e Museo Histórico – End: Carrera 4, 3-11. Abre: seg/sáb 9h-18h, dom e feriados 10h-16h. Entrada: COP 18.000.

Iglesia Santo Domingo – Carrera 3, esq. Calle 35. Abre para missas, 11h e 17h com entrada gratuita, ou para visitas de 45min áudio-guiadas por COP 12.000.

Marzola Parilla Argentina – Calle del Curato, 38-137. Abre diariam. 11h-0h.

KGB – End: em frente ao Parque Fernandez Madrid. Abre diariam. 9h-2h.

Bourbon St. – Calle 35, 3. Abre: 17h-3h.

Restaurante 1595 – Calle 36, 7-122. Abre: 11h30-15h.

Van Cartagena/Santa Marta – Disponível em dois ou três horários com preços diferentes e pode-se reservar diretamente no albergue. Pagamos COP 46.000 por pessoa. A duração da viagem é de 4h, em média.


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Guilherme Goss De Paula

Nascido em Tupã, no interior de São Paulo, sua primeira experiência internacional foi um intercâmbio na Alemanha - onde despertou seu interesse por conhecer o mundo. Trabalhou com turismo nos EUA, no Amazonas e em Santa Catarina. Graduou-se em Turismo e Hotelaria e abriu sua própria agência de viagens. Sempre em busca de novos destinos, acumula passagens por mais de 60 países. Como escritor-viajante, já participou de diversas edições dos guias O Viajante, além de ser colaborador voluntário dos sites TripAdvisor e Mochileiros.com. Sua melhor viagem é sempre a próxima!


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