Florença: o berço do Renascimento italiano

  • 27/07/2016
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  • Por: Guilherme Goss De Paula

Despois de visitar Pisa, cheguei em Florença já de noite, peguei minha mochila no guarda-volumes da estação e, seguindo instruções, fui até o ponto de ônibus. Após alguns minutos de espera, resolvi perguntar onde poderia comprar o bilhete – geralmente se compra com o motorista, mas eu quis confirmar. Para minha surpresa, a resposta foi: “– Na estação”. Quem me respondeu foi um jovem casal de irmãos mexicanos que, por coincidência, estavam indo para o mesmo albergue que eu. Não costumo piratear transporte, e essa é uma decisão honesta e inteligente, pois se tomasse uma única multa ela já seria equivalente ao transporte de uma viagem toda, então, correr risco pra quê? Mas… Dessa vez, definitivamente, eu não estava a fim de caminhar outra vez até a estação e resolvi arriscar.

Quando o ônibus chegou, eles foram tão gentis ao quererem me ajudar com as mochilas que fiquei desconfiado e recusei. Dentro do ônibus, ofereceram ajuda novamente para segurar a mochila e, como não tinham para onde ir, dessa vez aceitei – mas sempre de olhos grudados. O ônibus custava a chegar ao nosso destino e, enquanto isso, ficavam lendo anúncios afixados ao ônibus sobre multas aos passageiros sem bilhete. Nessa hora, imaginei que iriam me denunciar ou chantagear. Eis que o ônibus para em um local ermo, distante e escuro. Era o nosso ponto. Fiquei aliviado ao confirmar o nome da parada, mas os mexicanos disseram-me que ainda tínhamos uma longa caminhada pela frente, enquanto carregavam a minha mochila e uma sacola – eu estava somente com o mochilão nas costas. Enquanto caminhávamos, eu tentava encontrar uma solução rápida, caso saíssem correndo com meus pertences. Com tanta preocupação em vão, chegamos ao albergue. Em frente ao balcão da recepção eles deixaram minhas coisas e eu os agradeci – e me senti mal por ter desconfiado tanto daquele gentil casal de irmãos. Infelizmente, estamos acostumados com essa “cultura” de desconfiança, onde todos parecem querer tirar proveito das situações e chega a ser embaraçoso quando estamos diante de tanta gentileza.

Fiz o check-in e subi para o meu quarto. A propósito, hospedei-me no Ostello Villa Camerata que não era a minha primeira opção devido à distância do centro, mas me surpreendeu por ser vila do século XV, decorado com estuques e afrescos em um local de absoluta paz, em meio à natureza.

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Mais tarde, quando desci para a área comum, encontrei os mexicanos que, sempre gentis, deram-me mapas da cidade e me mostraram onde estavam as atrações principais da cidade. Depois de bater papo com eles, fui tirar uma dúvida na recepção mas o senhorzinho que estava lá não entendeu bulhufas do meu italiano, muito menos do meu inglês e perguntou: “– Você tem reserva?” – provavelmente a primeira pergunta que ele fazia para cada um que ali chegava! Desisti e fui dormir. No quarto havia dois japoneses. Acho que já comentei sobre isso, mas digo de novo que sempre fico tranquilo com meus pertences quando divido o quarto com orientais pois, diferentemente do que ocorre em nosso país, a cultura que eles preservam inclui a prática da honestidade. Desculpem pela insistência nessa reflexão mas sempre que viajo, seja pra onde for, me sinto em um lugar mais seguro que no Brasil – e olha que eu amo essa terra tupiniquim!

No outro dia, enquanto tomava café da manhã, recebi uma mensagem da Fátima (sim, nos encontramos lá também!) dizendo que já estava na fila da Galleria degli Uffizi. Eu sabia que as filas por lá costumam ser enormes (e tomam de duas e três horas), mas achei que não chegaria a tempo. Comprei então o bilhete de ônibus no próprio albergue, segui pelo longo caminho arborizado, peguei algumas informações na edícola (banca de revistas) e tomei o ônibus até a Piazza Duomo (falo sobre ela mais tarde) e fui andando até encontrá-la, ainda na fila. E por lá permanecemos por mais uns 25 minutos.

A Galleria degli Uffizi é parada obrigatória para quem visita Florença. Localizada na Piazza dela Signoria, a galeria detém a coleção mais completa sobre a Renascença e é uma das heranças da família Médici. Ocupando o Palazzo degli Uffizi, ela exibe obras-primas de Botticelli (Nascimento de Vênus e Alegoria), Da Vinci (A Anunciação), Michelangelo (Sagrada Família), entre outros. A mesma praça concentra também o Palazzo Vecchio, sede do governo, entre outros museus e construções importante.

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Ainda impressionados com tanta arte de qualidade, caminhamos até a famosa Ponte Vecchio – a mais antiga da cidade e que possui uma história curiosa. Antigamente, a ponte era ocupada por açougues que, invariavelmente e sem piedade, atiravam os restos de carne ao rio. Incomodados pelo mal odor que isso causara, os Médici resolveram substituir os açougues por joalherias (bela troca, não?). O problema do rio Arno foi resolvido e algumas joalherias estão lá até hoje.

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Atravessando a ponte, e caminhando mais um pouquinho, chega-se ao Pallazzo Pitti – que também pertenceu aos Médici. O palácio abriga uma série de museus que reúnem pinturas, porcelanas, esculturas, tesouros da família Médici, indumentárias e os próprios aposentos reais.

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Voltamos para o lado norte do rio e visitamos a Basilica di Santa Croce que, reza a lenda, foi construída sobre uma igreja fundada por São Francisco de Assis. Localizada em uma praça homônima, ela também é chamada de Panteão das Glórias Italianas por guardar os restos mortais de Michelangelo, Galileu e Maquiavel – todos fiorentinos. Do lado de fora da igreja, presenciei uma interessante exposição de Mini Coopers – desde os mais antigos até os mais atuais.

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A fome bateu. E o que encontramos pela frente? Máquinas de pasta! Sim, máquinas, dessas que colocamos as moedinhas e escolhemos o que vamos comer; as opções eram as seguintes: cannelloni com ricota e espinafre, tortellini com creme e presunto ou ao ragu toscano, lasagne ao forno, ravioli ao molho de nozes, farfalline com salmão e penne alla boscaiola – bem mais apetecível que salgadinhos, não?

Depois disso Fátima e eu tomamos rumos diferentes, ela foi para a Galleria dell’Accademia para ver o David de Michelangelo, e eu fui visitar outras duas igrejas: a Basilica di Santa Maria Novella e a Basilica di San Lorenzo (que possui a obra Sagrestia Vecchia de Donatello e o interior decorado por Michelangelo) – sem sorte, encontrei as duas fechadas!

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E pra fechar o dia, retornei à Piazza del Duomo, onde fica a magnífica Cattedrale di Santa Maria del Fiore, com sua fachada em mármores coloridos (vermelho, branco e verde) que lembram as cores da bandeira italiana. Ao seu lado fica uma grande torre, Campanille di Giotto, um campanário de 84 metros de altura, cujo topo é alcançado por 414 degraus.

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Sentei-me nas escadarias da catedral a fim de descansar e me despedir de Florença pois, no dia seguinte, seguiria para Roma!

Veja mais fotos na galeria!!


Este é o 32º post da série Mochilão na Europa I (28 países)

Leia o post anterior: Conhecendo a Torre de Pisa (Itália)

Leia o post seguinte: Roma e Vaticano em apenas dois dias


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Guilherme Goss De Paula

Nascido em Tupã, no interior de São Paulo, sua primeira experiência internacional foi um intercâmbio na Alemanha - onde despertou seu interesse por conhecer o mundo. Trabalhou com turismo nos EUA, no Amazonas e em Santa Catarina. Graduou-se em Turismo e Hotelaria e abriu sua própria agência de viagens. Sempre em busca de novos destinos, acumula passagens por mais de 60 países. Como escritor-viajante, já participou de diversas edições dos guias O Viajante, além de ser colaborador voluntário dos sites TripAdvisor e Mochileiros.com. Sua melhor viagem é sempre a próxima!


2 respostas para “Florença: o berço do Renascimento italiano”

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